VIOLÊNCIA: Pernambuco pode fechar o ano registrando mais de 5 mil homicídios

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Segundo dados da Secretaria de Defesa Social (SDS), o estado alcançou 4.576 crimes violentos letais intencionais (CVLI) nos dez primeiros meses de 2017

 

Foto: Danilo Verpa/Folhapress

 

JC Online

Pernambuco pode fechar o ano com a marca histórica de mais de cinco mil homicídios contabilizados. Com os 432 assassinatos registrados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), em outubro, o estado alcançou 4.576 crimes violentos letais intencionais (CVLI) nos dez primeiros meses de 2017. Considerando avanços e recuos, a média mensal de 2017 tem sido de 457 homicídios. Faltando dois meses para encerrar o ano, será a primeira vez que Pernambuco registrará números anuais tão sangrentos.

O acumulado de janeiro a outubro deste ano já ultrapassa o total de homicídios de todo o ano de 2016, quando foram praticados 4.479 assassinatos. No comparativo dos dez primeiros meses deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, o aumento do número de homicídios chega a 27%. De janeiro a outubro de 2016, foram 3.601 assassinatos.

A estatística de mais de 400 CVLIs por mês fragiliza as reiteradas promessas do governo de estancar a escalada de mortes violentas no Estado. Desde que assumiu a SDS, no dia 30 de junho deste ano, o secretário Antônio de Pádua tem prometido que os resultados das ações contra os homicídios se refletiriam nos números contabilizados nos sucessivos meses. Não é o que tem acontecido.

Pernambuco teria de registrar uma média de apenas 212 homicídios em novembro e em dezembro de 2017 para que o acumulado do ano não alcance o inédito patamar de cinco mil homicídios em um período de 12 meses. Ao longo deste ano, no entanto, nenhum mês apresentou estatística próxima dessa marca. Mesmo o mês de junho, que registrou o menor número de homicídios, foram contabilizadas 380 ocorrências.

De acordo com dados disponibilizados no site da SDS, desde 2004, o ano com maior número de assassinatos em Pernambuco foi 2006, que registrou 4.634 homicídios. No ano seguinte, foi implantado o programa Pacto pela Vida, que teve seu melhor resultado em 2013, quando foram praticados 3.100 homicídios. Desde então, os números de mortes violentas só fazem crescer.

ESTRATÉGIA

Apesar da dificuldade em derrubar as estatísticas, o secretário-executivo de Defesa Social, delegado federal Humberto Freire, afirma que a atual estratégia de combate à violência está correta.

“O Pacto pela Vida nunca esteve tão vivo. O trabalho de mapeamento de onde está ocorrendo o crime de homicídio é constante. Já há redução, inclusive, nas áreas mais quentes. Identificamos vários locais onde o tráfico de drogas está matando. Este ano já foram mais de 40 operações de repressão qualificada. Foram 1.998 prisões de homicidas em 2017.”

Ele destacou que outras modalidades de crimes, como roubo e furto, estão em queda e essa redução ajuda a interferir positivamente na taxa de CVLI. “Porque você consegue retirar pessoas da atividade criminal do convívio social. Pessoas presas por roubos, furtos, tráfico de droga que deixam de agir. Tudo isso é fundamental para que, em 2018, nós tenhamos um ano de queda mais sensível.”

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