Bolsonaro critica questão do Enem e diz que, em 2019, vai ‘tomar conhecimento da prova antes’

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Segundo o site do Inep, apenas “poucos servidores” da instituição e colaboradores têm acesso ao exame antes de sua aplicação

 

Foto: Reprodução/Facebook

 

UOL

 

Em pronunciamento feito ao vivo por meio de redes sociais, na noite desta sexta (9), o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) voltou a criticar questões feitas no Enem deste ano. O novo chefe do Poder Executivo afirmou que, em sua gestão, o governo passará a ter acesso antes às questões da prova. Segundo o site do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), apenas “poucos servidores” da instituição e colaboradores têm acesso ao exame antes de sua aplicação.

Bolsonaro fez a afirmação ao comentar a prova do último domingo (4) do Enem, que trouxe uma pergunta sobre o “dialeto secreto” utilizado por gays e travestis. A prova mostrou um texto sobre o “pajubá, o dialeto secreto dos gays e travestis” e questionava o candidato quanto aos motivos que faziam a linguagem se caracterizar como “elemento de patrimônio linguístico”. Professores ouvidos pelo UOL defenderam a questão formulada no exame.

O pesselista critica que a questão aborda o mundo LGBT e que no seu governo o Enem não terá questões de teor semelhante. “Não vai ter questão dessa forma no ano que vem porque nós teremos acesso à prova antes”, prometeu.

Em seu site, o Inep explica que as questões são retiradas do Banco Nacional de Itens (BNI), que contém perguntas elaboradas e revisadas por colaboradores do Inep ao longo de vários anos. A composição das diferentes provas são feitas por um pequeno grupo de servidores do Inep e colaboradores que têm acesso a um local de segurança máxima, sendo a entrada permitida apenas após a realização de vários procedimentos de segurança. Clique aqui para saber mais sobre como é feita a prova.

Além de criticar a questão do Enem, Bolsonaro voltou a citar o combate à educação sexual nas escolas. “Quem ensina sexo é papai e mamãe e acabou, ponto final, não precisamos discutir esse assunto”, afirmou. Em sua avaliação, a maioria dos brasileiros “quer isso” e aproveitou para criticar o quadro visto em algumas universidades públicas. “É dinheiro jogado fora”, disse, prometendo mudanças.

O presidente eleito explicou que deve anunciar em breve o nome do futuro ministro da Educação e que ele precisa entender que o Brasil é um “país conservador”. “Precisamos de um ministro [da Educação] que entenda que nós somos um país conservador”, comentou.

O futuro presidente disse que também deverá anunciar os nomes escolhidos para comandar as pastas do Meio Ambiente, da Saúde e de Relações Exteriores. Até o momento, seis nomes estão confirmados em sua gestão: Paulo Guedes (Economia), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), General Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia), Sergio Moro (Justiça) e Tereza Cristina (Agricultura).

Ao divulgar que deve definir o ministro do Meio Ambiente na próxima semana, o presidente fez críticas a ambientalistas, lamentando as contestações que vem enfrentando de parte do setor e o que chamou de “indústria da multa” contra o agronegócio.

Eu quero ver vocês (ambientalistas) trabalhando de verdade…Vocês do meio ambiente não sabem o que é produzir, muitos de vocês, não sabem o quanto é difícil ser agricultor no Brasil, ser produtor rural, e vai lá meter a caneta nos caras

Jair Bolsonaro criticando atuação de ambientalistas

O presidente eleito aproveitou para defender a indicação da deputada Tereza Cristina (DEM-MS) para o Ministério da Agricultura, dizendo que buscou um nome que representasse o setor produtivo e conhecesse as demandas do setor. “Lamento que o outro colega andou se excedendo”, disse, sem citar quem seria esta pessoa. Cotado para a vaga, o presidente da UDR (União Democrática Ruralista), o ruralista Luiz Antonio Nabhan Garcia, criticou ao UOL a escolha da parlamentar.

Garcia afirmou ser amigo de quase 30 anos de Bolsonaro, que o apoiou em toda a campanha e que a escolha foi a vitória da “força do poder político”. Nesta sexta, Bolsonaro afirmou que se fosse escolher alguém pelo tempo de convivência, escolheria a mãe. “Coloco a minha mãe. Ela está comigo há mais tempo”, disse.

“Ainda não sou o presidente”

No vídeo em que se comunicava diretamente com os seus seguidores, Bolsonaro também disse não ter tido responsabilidade sobre o aumento dos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e do procurador-geral da República (PGR), que foi aprovado pelo Senado na última quarta-feira (7).

“Deixo bem claro: eu não sou o presidente da República. Estão botando na minha conta o reajuste do Judiciário, como se eu tivesse poderes para impedir. Eu dei minha opinião, que era inoportuno, mas a decisão não é minha, a decisão está nas mãos do presidente Michel Temer, se vai sancionar ou vai vetar. Ainda não sou o presidente”, afirmou.

O presidente eleito voltou a criticar a reação da imprensa à decisão do governo do Egito de suspender uma visita do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira, depois de Bolsonaro ter anunciado a intenção de mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém.

“Pelo amor de Deus, vai dar bola pra isso? Quem decide a capital de Israel é o Estado de Israel. O Brasil não mudou a capital do Rio pra Brasília? Teve algum problema? Quem decide somos nós”, disse. “Daí vem a imprensa: ele está criando trapalhadas internacionais”, questionou. Na terça (6), após o anúncio do governo egípcio, o presidente afirmou que ainda não havia uma decisão definitiva sobre a mudança da embaixada.

Segundo Bolsonaro, essa não foi a reação que ele obteve nos encontros com embaixadores de outros países que já se reuniram com ele após as eleições. “Fui muito bem recebido, conversas maravilhosas com todos os países, o pessoal tem visitado aqui em casa, [conversas] de fortalecimento dos laços de amizade, comerciais”, afirmou o presidente eleito.

Ele voltou a criticar a imprensa ao negar ter concordado com as propostas para a reforma da Previdência de aumento do tempo de contribuição e da alíquota dos trabalhadores.

“A imprensa quis botar na minha conta 40 anos para se aposentar de forma integral, não tenho nada a ver com isso. É proposta que está lá na Câmara ou tá lá no governo para passar de 11% pra 22% o desconto previdenciário”, disse. “Nós não podemos falar em salvar o Brasil quebrando o trabalhador”, completou o presidente eleito, explicando que não quer que o Brasil siga o exemplo da Grécia, que precisou reestruturar a Previdência após a crise financeira no início desta década.

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