Mourão diz que decreto de posse não é medida de combate à violência

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Para o militar, a iniciativa é apenas o cumprimento de uma promessa de campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro

Foto: Jorge William / Agência O Globo

UOL

O presidente em exercício Hamilton Mourão avaliou, nesta segunda (21),em Brasília, que o decreto que facilitou a posse de armas no país não é uma medida de combate à violência. Para o militar, que assumiu o cargo no domingo (20), a iniciativa se trata apenas do cumprimento de uma promessa de campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro.

“Não vejo como uma questão de medida de combate à violência. Vejo apenas, única e exclusivamente, como atendimento de promessa de campanha do presidente e que vai ao encontro dos anseios de grande parte do eleitorado dele”, disse Mourão.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, o general observou que a proposta sofreu tanto críticas por ser severa como por ser branda. E ressaltou que a virtude dela foi ter ficado em uma espécie de meio-termo.

“Ela foi criticada tanto por um lado como pelo outro. Sofreu tiros de tudo o que é lado. Eu acho que a virtude está no meio. E ela foi no meio”, ponderou.

Na semana passada, Bolsonaro criticou o que chamou de “falácias” sobre o decreto e disse, em mensagem nas redes sociais, que a pior delas é a de que a iniciativa não resolve o problema da segurança pública no país.

Mourão avaliou ainda que não é possível dizer hoje que há uma possibilidade “concreta” e “real” do Congresso Nacional facilitar também o porte de armas no país.

Para ele, ainda é necessário aguardar o posicionamento sobre o tema do novo Poder Legislativo, que toma posse no início do próximo mês e teve um elevado percentual de renovação.

“Não conhecemos ainda o posicionamento desse Congresso Nacional que vai iniciar. Eu acho que há uma certa distância em a gente considerar que isso é viável”, afirmou.

PREVIDÊNCIA

Na entrevista, o presidente em exercício voltou a defender a necessidade de mudanças também nas regras de aposentadoria de militares, alterações que encontram forte resistência nas Forças Armadas.

Ele disse que o tempo de permanência no serviço ativo deve ser elevado, possivelmente por meio de uma medida provisória. A equipe econômica discute ampliá-lo de 30 para 35 anos.

“O tempo de permanência no serviço ativo é um dos pontos que está sendo discutido e que será apresentado pelo grupo militar como uma forma de mitigar o gasto”, disse. “A questão da permanência por 30 anos acho que irá mudar”, acrescentou.

Além do tempo de serviço, a equipe econômica avalia começar a tributar a pensão das viúvas de militares. O tema ainda está sendo discutido com as Forças Armadas.

FLÁVIO

Em uma estratégia para blindar o presidente, Mourão disse que as suspeitas envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho de Bolsonaro, não são uma questão governamental.

Para ele, as acusações causam “algum problema familiar” e devem ser apuradas, punindo o responsável caso tenha sido cometida e comprovada alguma irregularidade.

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